Mestre de capoeira Gigante morre aos 95 anos em Salvador Mestre de capoeira Gigante morre aos 95 anos em Salvador
Parece uma sina. Aconteceu com Bimba, Pastinha, Waldemar, Cobrinha Verde e, agora, com mestre Gigante. Francisco de Assis, 95 anos, o pequeno gigante da... Mestre de capoeira Gigante morre aos 95 anos em Salvador

Parece uma sina. Aconteceu com Bimba, Pastinha, Waldemar, Cobrinha Verde e, agora, com mestre Gigante. Francisco de Assis, 95 anos, o pequeno gigante da capoeira, morreu nesta segunda-feira (30), da mesma forma que os outros, na pobreza, sem o devido amparo e reconhecimento governamental.

Aluno de Cobrinha Verde, mestre Gigante era o mais velho capoeirista vivo no mundo. Se dedicou à arte mandingueira desde os anos 40, quando conviveu com Aberrê, Noronha, Barbosa, Traíra, Najé e outros capoeiristas afamados do passado.

Após perder a luta contra uma infecção respiratória, Gigante recebeu seu último golpe no Hospital Teresa de Lisieux e teve o corpo enterrado no Cemitério Campo Santo. Viúvo, deixou duas filhas e três netos. Apesar de mundialmente conhecido e de ser um dos mais importantes nomes da capoeira, que em 2014 recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, Gigante teve um enterro simples.

Ao som de berimbaus, com direito a uma roda, seu caixão foi carregado por outros mestres e colocado em uma carneira comum com apenas uma coroa de flores. A comunidade da capoeira e familiares juntaram dinheiro para bancar a cerimônia. Não houve contribuição governamental.

“Infelizmente Gigante confirma o destino dos mestres antigos, que morreram na miséria. Não têm qualquer apoio dos governos. Isso é um absurdo”, afirma mestre Itapuã, um dos que ajudou Gigante no final da vida. Nada era mais marcante em Gigante do que a qualidade de seu toque. Poucos extraiam som do berimbau com tanta perfeição.

“Tanto que tocava em tudo que é roda. Tinha trânsito livre”, lembra Itapuã. “Gigante tocava berimbau. Tocava muito bem. Estava presente em formaturas, festas, shows culturais. Um cara muito importante para a capoeira. Ensinou muita gente a tocar. Uma perda gigante para a capoeira”, destaca Marinalva Machado, a Nalvinha, filha de mestre Bimba.

Disco gravado pelo mestre Gigante, de 2007, produzido por Frede Abreu
(Foto: Divulgação)

Conhecido também por compor cantigas e ladainhas tocadas nas rodas de capoeira, gravou o disco O Canto do Berimbauman, projeto do pesquisador e escritor Frede Abreu, morto em 2013. Segundo o próprio Frede escreveu, o disco apresentava a “perfeição do toque do berimbau de Gigante”. “Um trabalho que mostra a importância de Gigante para a musicalidade da capoeira”, afirmou o contra-mestre Sapoti, que também participou das gravações.

Uma de suas músicas mais famosas ironizava justamente a sua estatura, que não passava de 1,50m. “Meu pai era pequeno, minha mãe também. Por favor não me critique, que eu não critico ninguém. Eu sou pequeno, meu berimbau é grande. Na roda de capoeira eu toco São Bento grande”.

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