Discípulo de Mestre Bimba, mestre Damião (Esdras Magalhães dos Santos) foi quem articulou a primeira viagem de Bimba a São Paulo e Rio de Janeiro, para...

Discípulo de Mestre Bimba, mestre Damião (Esdras Magalhães dos Santos) foi quem articulou a primeira viagem de Bimba a São Paulo e Rio de Janeiro, para exibir a Capoeira. Oficial reservista da Aeronáutica, além de advogado, é um dos precursores da Capoeira em São Paulo, onde ensinou, na academia do famoso treinador Kid Jofre. Nos anos 70, com a colaboração de mestre Suassuna, difundiu a Capoeira por todo o Vale do Paraíba, a partir de São José dos Campos, onde vive. Autor de um precioso livro-documento sobre a nossa arte-luta. Incansável batalhador, é reconhecidamente um dos homens que mais fez e tem feito pelo engrandecimento da Capoeira.  Destacamos um dos seus textos que encontramos na internet:

“VAMOS GINGAR CURTO, CAMARADO!”  

     “Fixando-me outro dia em uma foto do extraordinário Mestre Bimba impressa na contracapa do disco ‘Capoeira Regional’, na qual ele se acha ensinando um aluno a gingar, bem como relendo o livro do Mestre Decânio ‘A Herança de Mestre Bimba – Lógica e Filosofia Africanas da Capoeira’, que considero a Bíblia da Capoeira Regional, deu-me um estalo na cuca e passei a pensar em qual o motivo que levou os Mestres contemporâneos a consentirem que seus alunos aumentassem desproporcionalmente o tamanho do passo do gingado.

          Recordei-me de que, quando aluno do Grande Mestre, lá pelos idos de 1946/47 e 48, ele ensinava que a distância do passo do gingado é a mesma do passo normal com que a pessoa anda.

          E acentuava que o gingado não é puladinho e sim executado com os pés arrastando no chão.

          Não precisa ser profeta para verificar que executando corretamente o gingado na forma explicitada pelo velho Mestre, o capoeirista adquirirá um equilíbrio perfeito, executando com maior agilidade os reflexos e negaças, e também com invulgar eficiência e esforço mínimo os golpes, contragolpes e demais movimentos da Capoeira.

          Um outro detalhe importante é o afastamento excessivo entre os capoeiristas durante o jogo. Reparem que eu disse “jogo” e não “luta”. E este afastamento lamentavelmente é gerado pelo tamanho desproporcional do passo do gingado.

          É interessante salientar que a beleza e eficiência da Capoeira consiste no fato de os seus praticantes jogarem próximos um do outro, gingando curto com bastante molejo de corpo, executando com precisão a seqüência de golpes e contragolpes, as negaças e saltos da luta, numa sincronização perfeita dos movimentos, sem que se atinjam, e obedecendo rigorosamente à cadência do toque do berimbau.

          A exibição circense de saltos ornamentais, acrobáticos e golpes desferidos no ar como se se pretendesse atingir um adversário imaginário, bem como rodopios com a cabeça colada ao chão, embora sejam ‘deslumbrantes’, nada têm a ver com o verdadeiro jogo da Capoeira.

          Gente, não seria uma ‘boa’ tentar uma voltinha às origens?…”  

Fonte: Site capoeira Brasil

Ricardo Nascimento

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