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Memórias do Valongo: Capoeira, Identidade e Diversidade
A exposição “Memórias do Valongo: capoeira, identidade e diversidade”, com fotografias de Maria Buzanovsky, peças do acervo arqueológico relacionadas as escavações do Cais do...

A exposição “Memórias do Valongo: capoeira, identidade e diversidade”, com fotografias de Maria Buzanovsky, peças do acervo arqueológico relacionadas as escavações do Cais do Valongo e coleção de objetos de capoeira do Mestre Dois Cruzeiros (Athayde Parreiras Neto), será aberta no próximo dia 1º de setembro, domingo, às 15h, no Museu Janete Costa de Arte Popular. Na ocasião, haverá também o lançamento do evento “A Roda no Museu”, com a participação do ator e diretor teatral Amir Haddad.

Com curadoria do professor Wallace de Deus (UFF/MJCAP), a mostra tem entrada franca e pode ser visitada de 03 a 30 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h.

No Museu Janete Costa, o público vai poder conferir imagens de rodas de capoeira registradas pela premiada artista niteroiense Maria Buzanovsky, instrumentos de capoeira confeccionados pelo Mestre Dois Cruzeiros, além de objetos relacionados às recentes descobertas arqueológicas do Cais do Valongo, no Centro do Rio de Janeiro, antigo escoadouro de africanos, na fase final do tráfico escravagista. O Cais do Valongo, lugar de relevante destaque na memória afro-brasileira, por onde passou cerca de meio milhão de africanos, é onde hoje são realizadas as Rodas de Capoeira do Kabula Rio, grupo que integra o Coletivo de Capoeira Conexão Carioca, cuja Roda é usada como forma de ativar este episódio da história, da memória e da cultura negra no Brasil.

A História

A restauração da região portuária carioca revelou uma parte importante de nossa história, recuperada com a descoberta e restauração do Cais do Valongo, enterrado há mais de um século, onde os vestígios do passado brasileiro foram encontrados ao longo da Avenida Barão de Tefé, onde ficava o cais. Por ali passaram milhares de homens, mulheres e crianças vindos da África no ciclo final do regime escravagista no Brasil, de 1818 a 1830. O complexo do “Valongo” tinha mercados, depósitos, uma área para quarentena, cemitério e diversos outros estabelecimentos ligados ao comércio de escravos.

Em 1779 o comércio de africanos se estabeleceu finalmente na região do Valongo, crescendo a cada ano e atingindo seu auge em 1808, com chegada da Família Real, até 1831, quando o comércio de escravos da África para o Brasil passou a ser feito às escondidas. A partir de 1843 começa a ser construído o Cais da Imperatriz, por sobre o que havia sobrado do antigo Cais do Valongo, com o objetivo de recepcionar a futura imperatriz Teresa Cristina, que chegaria da Europa para se casar com Dom Pedro II, então Imperador. Posteriores reformas urbanas, como a empreendida pelo Prefeito Pereira Passos, também seguiram apagando os vestígios do envolvimento do Brasil com a escravidão, que agora estão sendo redescobertos.

A equipe do Departamento de Antropologia do Museu Nacional (UFRJ) que acompanhou as obras foi coordenada pela arqueóloga Professora Tânia Andrade Lima, para quem o projeto permite “denunciar todas as situações de apagamento, de amnésia social, de esquecimento, que a dinâmica social imprime a determinados segmentos, principalmente o do negro escravizado”.

Durante as escavações, foram descobertos os dois ancoradouros, um sobre o outro, onde foi achada uma grande quantidade de objetos de uso pessoal, especialmente amuletos e objetos de culto vindos do Congo, Angola e Moçambique. Entre os materiais encontrados e que estão sendo catalogados, estão partes de calçados, pratos, cacos cerâmicos, jogos de búzios para prática religiosa dos escravos e botões feitos com ossos pelos cativos, além de adornos pessoais confeccionadas pelas escravas com fibra de piaçava.

Até meados da década de 1770, os escravos desembarcavam na Praia do Peixe, atual Praça XV para serem negociados na Rua Direita, hoje Rua 1º de Março. Tudo isso ocorria no Centro do Rio, à vista de moradores e dos estrangeiros, levando ao estabelecimento de uma nova legislação, em 1774, que estabelecia a transferência do mercado de escravos para a região do Valongo, por motivos sanitários: proteger os cidadãos das doenças trazidas pelos negros.

Em 1831 o Valongo foi finalmente fechado, quando o tráfico transatlântico foi proibido por pressão da Inglaterra. A norma foi solenemente ignorada e recebeu a alcunha irônica de “lei para inglês ver”. Os traficantes usavam portos clandestinos para trazer sua mercadoria. Em 1850, com a assinatura da Lei Eusébio de Queirós, pôs-se fim verdadeiramente ao tráfico para o Brasil, embora a escravidão persistisse até a Abolição, em 1888.

Serviço

Exposição “Memórias do Valongo: Capoeira, Identidade e Diversidade”
Com lançamento do evento “A Roda no Museu”
Abertura: Domingo, 1º de setembro de 2013, às 15:00
Visitação: De 03 a 30 de setembro de 2013
Horários: De terça a domingo, das 10 às 18h
Entrada Gratuita.
Visitas Guiadas (agendamento): 2705 3929.

Museu Janete Costa de Arte Popular
Rua Presidente Domiciano, 178-182, São Domingos, Niterói

Contraponto

Até o dia 30 de setembro, você também pode conferir a exposição ‘Contraponto’, com esculturas do artista Mudinho da Praia Rasa, do acervo do Museu de História e Artes do Rio de Janeiro e de pinturas de artistas brasileiros provenientes do acervo do Museu Internacional de Arte Naïf, do Rio de Janeiro. 

A Roda no Museu

A abertura da exposição “Memórias do Valongo” inaugurará o evento A Roda no Museu, onde os diversos grupos de capoeira da cidade e coletivos de artistas populares deverão se apresentar no espaço interno do Museu Janete Costa de Arte Popular. A solenidade de “Abertura da Roda” será comandada pelo ator e diretor Amir Haddad, que tem uma história marcada pela atuação junto a grupos alternativos e que promoverá a ocupação do espaço interno do Museu com performances de capoeira e outras expressões de matrizes culturais as mais diversas, que têm a Roda como inspiração e/ou suporte. O espaço estará aberto para apresentações agendadas durante todo o mês de setembro, de terça a domingo, de 16:00 as 18:00.

Este evento integra a programação da 7ª Primavera dos Museus, do IBRAM, cujo tema deste ano é Museus, Memória e Cultura Afro-Brasileira e visa alternativamente contribuir para a aplicação da Lei 10.639/03 que torna obrigatório o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira no Ensino Básico. Em julho de 2008, durante a gestão do então Ministro da Cultura Gilberto Gil, a “Roda de Capoeira” foi reconhecida como patrimônio cultural brasileiro pela Diretoria de Patrimônio Imaterial do IPHAN, em Brasília, inscrevendo este bem cultural no Livro das “Formas de Expressão”, o que vem gerando e suscitando ações de salvaguarda no sentido de garantir espaços públicos, estímulo e condições adequadas para execução de Rodas de Capoeira em todo o território nacional, como forma de difundir mais esta expressão das culturas afro-brasileiras.

 Site: Cultura Niteroi

Ricardo Nascimento

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